Mostra com as primeiras fotos de Henri Cartier-Bresson estão em São Paulo

26 abril 2017

Até 24 de junho, oitenta fotografias do início da carreira de Henri Cartier-Bresson, o mais influente fotógrafo do século XX, poderão ser vistas em São Paulo. A mostra Henri Cartier-Bresson: Primeiras Fotografias traz fotos clássicas e algumas inéditas, percorrendo o caminho do jovem fotógrafo, entre 1932 e 1935.

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Henri Cartier-Bresson torna-se fotógrafo no dia de 1932 em que compra uma Leica em Marselha. É seu batismo de fogo. O artista encontra seu instrumento. Impossível não lembrar das palavras de Paul Morand: “Aos doze anos, me deram uma bicicleta. Depois, nunca mais me encontraram…”.

A Leica será seu objeto mitológico. Dela nunca mais se separará, seja no exterior, seja na intimidade. Na rua, em casa, na casa das pessoas, em todos os lugares e o tempo todo, nunca se sabe. Não é um hábito de artista, mas de caçador de recompensas. Sempre pronto para atirar, à espreita, de sobreaviso. mas isso não impede o sentimento. Raras vezes se viu identificação tão completa entre um homem e uma máquina, uma osmose tão feliz entre uma alma e um mecanismo. Como um casal de amantes, poderíamos dizer que ele era a contraparte dela, e ela a contraparte dele. Eles parecem feitos um para o outro. Ao prolongar seu olhar da maneira mais natural possível, a máquina faz parte dele. (Trecho de Cartier Bresson, o olhar do século, de Pierre Assouline, publicado pela L&PM em formatos convencional, pocket e e-book)

A partir do dia em que comprou sua Leica, Cartier-Bresson criou uma das mais originais e influentes narrativas visuais da história da fotografia.

Antes de ser fotógrafo, no entanto, Cartier-Bresson dedicou-se à pintura e foi discípulo de André Lhote, o cubista que também foi professor de Tarsila do Amaral. E foi com seu mestre que ele descobriu que poderia usar a proporção áurea e a simetria na construção de suas fotos. Essa ligação com a pintura é notável nas 58 imagens selecionadas pelo curador João Kulcsár para a exposição Henri Cartier-Bresson: Primeiras Fotografias que está aberta ao público na Galeria de Fotos do SESI-SP.

Lhote é apenas uma das (boas) influências de Cartier-Bresson. Filho de uma família rica, que foi a maior produtora de linhas de costura na Europa (pelo menos até o começo dos anos 1960), Cartier-Bresson foi amigo de pintores Max Ernst e Matisse e ele mesmo chegou a pintar algumas telas surrealistas, até encontrar a escritora Gertrude Stein, mecenas dos vanguardistas parisienses, que o fez abandonar definitivamente as tintas e os pincéis. Ela examinou suas pinturas, despachando-o com uma única frase: “Melhor você se dedicar aos negócios da família”.

De fato, Cartier-Bresson teria sido apenas mais um entre os pintores surrealistas. Ou outro milionário excêntrico, se uma máquina fotográfica não surgisse em sua vida. Seu amigo Robert Capa, que fundou com ele a hoje gigantesca agência Magnum Photos, jogou a pá de cal em seus sonhos de pintor: “Melhor você se dedicar ao fotojornalismo, ou vão grudar um rótulo (surrealista) em você do qual jamais conseguirá se livrar”.

Mesmo assim, o surrealismo não saiu da cabeça de Cartier-Bresson, que cultivava o desejo de filmar com o espanhol Luis Buñuel, um dos pioneiros do cinema surrealista. Acabou virando assistente de Jean Renoir, que aceitou uma encomenda do Partido Comunista Francês para fazer um filme de propaganda (La Vie Est à Nous, de 1936), que ajudou a conduzir a Frente Popular ao poder. Cartier-Bresson fez posteriormente outros filmes políticos de apoio à causa republicana durante a Guerra Civil Espanhola.

As 58 imagens da mostra foram produzidas em vários países – Bélgica, Espanha, França, Itália e México – e cobrem desde exercícios formalistas baseados nos primórdios do construtivismo russo até o registro realista de um bordel mexicano, passando por uma emulação do estilo de Kertész, o fotógrafo húngaro que Cartier-Bresson venerava – e que teve uma atuação marcante na Paris dos anos 1920, até emigrar, em 1937, para os EUA.

Marselha, França, 1932 / Foto: Henri Cartier-Bresson

Marselha, França, 1932 / Foto: Henri Cartier-Bresson

Bruxelas, Bélgica, 1932 / Foto: Henri Cartier-Bresson

Bruxelas, Bélgica, 1932 / Foto: Henri Cartier-Bresson

EXCLUSIVO DIRETO DA FONTE

Prostitutas mexicanas em 1934 / Foto: Henri Cartier-Bresson

Valência, Espanha, 1933 / Foto: Henri Cartier-Bresson

Valência, Espanha, 1933 / Foto: Henri Cartier-Bresson

Henri Cartier-Bresson: Primeiras Fotografias

Galeria de Fotos do Sesi: Av. Paulista, 1.313, Fone: 3146-7439

De segunda a domingo das 10h às 20h

Até 25 de junho

Grátis

Quando todo dia era dia de índio

19 abril 2017

Calcula-se que eles eram cerca de quatro milhões, espalhados pela Terra Brasilis. Hoje, segundo o site da FUNAI, não passam de 460 mil. Os índios das Américas – assim chamados porque, em um primeiro momento, Colombo acreditou ter chegado às Índias – ganharam um dia só para eles em 19 de abril de 1940, durante o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano realizado na cidade de Patzcuaro no México.

No Brasil, o 19 de abril só virou Dia do Índio três anos depois, quando Getúlio Vargas colocou a data no calendário oficial do país. Para marcar o dia, separamos alguns trechos de livros que trazem o índio como personagem principal ou como tema central. Vale a pena ler e descobrir uma época em que, como diria Baby do Brasil (ex Baby Consuelo), “todo dia era dia de índio”.

Com as cores do amanhecer tingindo a cena de dourado, os seis ou sete homens  que estavam na praia juntaram seus arcos e flechas e se prepararam para um encontro com os desconhecidos. De onde viriam os recém-chegados? De alguma ilha ou de alguma terra além-mar? Vinham provavelmente da Terra Sem Males, julgaram os mais experientes: o lugar onde todos eram felizes e ninguém morria, e que ficava para lá da imensidão das águas salgadas (Brasil: Terra à Vista! , de Eduardo Bueno)

Nesse mesmo instante, dois segundos talvez depois que a última flecha caíra no aposento, a folhagem do óleo que ficava fronteiro à janela de Cecília agitou-se e um vulto embalançando-se sobre o abismo, suspenso por um frágil galho de árvore, veio cair sobre o peitoril. Aí agarrando-se à ombreira saltou dentro do aposento com uma agilidade extraordinária; a luz dando em cheio sobre ele desenhou o seu corpo flexível e as suas formas esbeltas. Era Peri. (O Guarani, de José de Alencar)

Toda essa gente é guerreira e possui tanta astúcia para proteger-se de seus inimigos como se fossem criados na Itália e em contínua guerra. Quando estão em guerra costumam assentar suas casas nas encostas dos morros, fazendo cavernas nestes, que é onde costumam dormir. As mulheres e as crianças são levadas par as partes mais altas, através de estreitas trilhas que abrem. Os homens andam com o corpo totalmente pintado, como forma de camuflagem. (Naufrágios & Comentários, de Álvaro Núñes Cabeza de Vaca)

Certa vez, os índios vinham ao nosso encontro para nos receber, à distância de dez léguas de uma grande vila, com víveres e viandas delicadas e toda espécie de outras demonstrações de carinho. E tendo chegado ao lugar, deram-nos grande quantidade de peixe, de pão e de outras viandas, assim como tudo quanto puderam dar. Mas es incontinenti que o Diabo se apoderara dos espanhóis e que passam a fio de espada, na minha presença e sem causa alguma… (O paraíso destruído, de Frei Bartolomé de Las Casas)

Devíamos tomar cuidados especiais com os Tupinambás duas vezes por ano, quando entravam com violência nas terras dos Tupiniquins. Uma dessas épocas é novembro, quando o milho, que eles chamam de abati, fica maduro, e com o qual preparam uma bebida que chamam de cauim. Para tanto também usam raízes de mandioca, de que empregam um pouco na mistura. (Duas viagens ao Brasil, de Hans Staden)

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Do céu a banda de dentro, / o menininho mostra a Terra, / e de dentro desse céu ele descobre / que a terra dos caxinauás não é grande / e que os rios também não são largos. / Por exemplo, diz ele, apontando para baixo, / aquele rio ali é só uma sucuri gigante / estendida no meio da relva! / E da Terra, quer dizer, do céu da Terra, / quer dizer, do céu aqui onde estou, / os narizes também não são assim tão grandes, / nem o meu corpo tão doente quanto era, / porque do céu da banda de dentro / tudo fica muito bonito, lindo de morrer, / e sabe disso até quem morre, / diz o menino levado ao céu pela andorinha. (O menino levado ao céu pela andorinha – Poemas e cantos indígenas, seleção e tradução de Sérgio Capparelli) 

Poirot, quem diria, já foi galã

11 abril 2017

Desde o final da década de 1920, o famoso detetive belga criado por Agatha Christie vem ganhando diferente rostos no teatro e no cinema. Foram mais de 40 atores com diferentes nacionalidades e bigodes (ou até sem bigode) que ajudaram a desvendar os crimes criados pela Rainha do Crime.

Um dos Poirots mais lembrados é, sem dúvida, aquele que está na mais célebre adaptação de Assassinato no Expresso Oriente, de 1974. Ele foi eternizado por Albert Finney.

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Este é o célebre Poirot de Albert Finney

Quando o britânico descendente de irlandeses Albert Finney foi escalado para ser Poirot, a primeira impressão foi de estranheza. O galã de 38, bonitão e de porte atlético, não parecia se encaixar no perfil atarracado e gordinho de um detetive cinquentão.

Olha o Poirot sem maquiagem!

Olha o Poirot sem maquiagem nos bastidores do filme!

A caracterização exigiu horas de maquiagem diárias. Todas as manhãs, muito cedo, Finney era pego em sua casa e ficava dormindo no trailer enquanto os maquiadores começavam a trabalhar em sua transformação que incluía um nariz falso e um estofamento na barriga.

A maquiagem dava trabalho, mas ajudou Finney a concorrer ao Oscar de melhor ator

A maquiagem dava trabalho, mas ajudou Finney a concorrer ao Oscar de melhor ator

Finney foi o único ator a interpretar Hercule Poirot que recebeu uma indicação ao Oscar pelo papel, embora não tenha levado a estatueta. Alguns idolatram sua interpretação do detetive, outros a consideram caricata demais, mas todos concordam que sua caracterização física e seu figurino são obras-primas.

E vem aí mais um Hercule Poirot! Em 23 de novembro deste ano estreia a nova adaptação de Assassinato no Expresso Oriente com direção de Kenneth Branagh e o próprio no papel de Poirot.

A L&PM publica Assassinato no Expresso Oriente nas versões impressa e e-book.

Novo livro de Affonso Romano de Sant’Anna em destaque

7 abril 2017

Vale a pena ler a entrevista que Affonso Romano de Sant’Anna concedeu ao jornal mineiro O Tempo sobre seu novo livro, recém publicado pela L&PM. Quase Diário 1980-1999, é um livro literalmente memorável, no qual Affonso revisa sua história (e a do Brasil) e fala sobre seus muitos encontros com personalidades da cena cultural brasileira.

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Inédito: leia trecho da única crítica que Van Gogh recebeu em vida

30 março 2017

Em janeiro de 1890, o primeiro número da legendária revista Mercure de France, trazia um texto intitulado Os isolados. Escrito pelo poeta e crítico de arte Gabriel-Albert Aurier, foi o primeiro – e único – texto crítico sobre Van Gogh, publicado em vida do artista.

(…)

Sob céus ora talhados no ofuscamento das safiras ou das turquesas, ora feitos de não sei que súlfures infernais, quentes, deletérios e cegantes; sob céus como moldes de metais e cristais em fusão, onde, por vezes, propagam-se, difusos, tórridos discos solares; sob a incessante e formidável correnteza de todas as luzes possíveis, em atmosferas pesadas, flamejantes, abrasadoras, que parecem exalar de fantásticas fornalhas onde se volatilizariam ouros, diamantes e gemas singulares – este é o mostruário inquietante, perturbador, de uma estranha natureza, verdadeiramente real e ao mesmo tempo quase sobrenatural, de uma natureza excessiva onde tudo, seres e coisas, sombras e luzes, formas e cores, se empinam, se erguem numa vontade raivosa de gritar sua essencial e própria canção, com o timbre mais intenso, o mais ferozmente superagudo; são árvores, retorcidas como gigantes em batalha, proclamando com o gesto de seus braços nodosos que ameaçam e com o trágico esvoaçar de suas verdes cabeleiras, sua força indomável, o orgulho de sua musculatura, sua seiva quente como sangue, seu eterno desafio ao furacão, ao relâmpago, à natureza nociva; são ciprestes erguendo suas pesadelares silhuetas de labaredas, que seriam negras; montanhas arqueando dorsos de mamutes ou de rinocerontes; pomares brancos, rosados e amarelados, como ideais sonhos de virgens; casas acocoradas, que se contorcem apaixonadamente como indivíduos que gozam, sofrem, pensam; pedras, terrenos, arbustos, gramados, jardins, rios que parecem esculpidos na forma de minerais desconhecidos, polidos, reluzentes, irisados, feéricos; são flamejantes paisagens que parecem a ebulição de multicoloridos vernizes em algum diabólico cadinho de alquimista, folhagens que parecem bronze antigo, cobre novo, vidro filetado; canteiros de flores que parecem menos flores do que riquíssimas joalherias de rubis, ágatas, ônix, esmeraldas, coríndons, crisoberilos, ametistas e calcedônias; é a universal, louca e ofuscante fulguração das coisas; é a matéria, a natureza inteira retorcida freneticamente, paroxizada, levada ao auge da exacerbação; é a forma que se torna pesadelo, a cor que se torna labareda, lava e pedraria, a luz que se faz incêndio, a vida, febre ardente.

Tal é a impressão, nada exagerada, ainda que assim se possa pensar, deixada na retina pelo primeiro olhar sobre as obras estranhas, intensas e febris de Vincent Van Gogh, compatriota e não indigno descendentes dos velhos mestres holandeses.

(…)

Trecho de Os isolados, tradução de Julia da Rosa Simões

Este texto nunca foi traduzido e publicado no Brasil na íntegra, mas ele será acrescentado à próxima edição de Cartas a Theo e outros documentos sobre a vida de Van Gogh.

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Ao que tudo indica, foi somente cinco meses depois da publicação do artigo de Aurier, e da resposta quase imediata do pintor por carta, em fevereiro, transmitida por Theo, que ele e Van Gogh conheceram, na casa deste, no domingo, 6 de julho, na presença de Émile Bernard e Toulouse-Lautrec. Depois da morte de Vincent, Théo convidou Aurier a escrever o catálogo das obras do pintor e um livro sobre ele. Mas o projeto não se concretizou.

Após sua morte, em 5 de outubro de 1892, vítima de uma febre tifóide,  Paul Gauguin escreveu a Daniel de Monfreid: “O pobre Aurier está morto. Decididamente, não estamos com sorte. Van Gogh, depois Aurier, o único crítico que nos compreendia e que um dia nos teria sido útil”.

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Clique para ampliar a foto e impressione-se com o olhar de Aurier

 

30 de março de 1853, nasce um gênio

30 março 2017

Vincent Van Gogh aos 13 anos

“Desde o seu nascimento, Vincent Willem Van Gogh viveu em dificuldade. Nasceu em 30 de março de 1853, exatamente um ano após uma criança natimorta chamada, como ele, Vincent Willem Van Gogh. O túmulo desse primeiro Vincent se achava a poucos passos da igreja onde o pai oficinava como pastor de Groot Zundert, pequena aldeia rural de uma centenas de habitantes no sul da Holanda. Assim, tão logo aprendeu a ler, o pequeno Vincent pôde ver seu nome como em seu próprio túmulo. Ele seria um eterno substituto.

(Trecho inicial de Van Gogh, premiado livro de David Haziot que faz parte da Série Biografias

O gênio atormentado, o pintor fervoroso, o observador louco, o desenhista libertário, o artista sem igual que usou o próprio corpo como a matéria-prima de sua arte. Assim foi Vincent Van Gogh. Hoje cultuado, esse pintor de sóis silenciosos e girassóis de ouro nunca vendeu um quadro quando vivo. Hoje, suas obras valem milhões.

vincent van gogh - auto-retrato e retrato do pintor

Sobre Van Gogh, a L&PM publica, além de sua biografia, o livro Cartas a Théo em pocket, com a correspondência entre o pintor e seu irmão; o grande livro Cartas a Theo e outros documentos sobre a vida de Van Gogh e a HQ Vincent.

 

Paris é uma festa do livro

24 março 2017

O dia amanheceu frio e chuvoso em Paris. Mas dentro do grande pavilhão da Place de la Porte de Versailles o clima não poderia ser mais caloroso. É lá que, de hoje até segunda-feira, 27 de março, acontece o o 36° Salão do Livro de Paris. O editor da L&PM, Ivan Pinheiro Machado, está por lá, conferindo as produção de livros franceses. “O Salão é uma verdadeira festa da juventude, estudantes de toda a França superlotam o enorme pavilhão” conta Ivan.

Somente editoras podem participar. Não há livrarias e nem estandes oficiais e institucionais. Porque a ideia é justamente mostrar a produção literária da França e negociar direitos autorais para o mundo todo. Além dos livros, há também toda uma programação de palestras e mesas redondas com autores e intelectuais.

O Salão do Livro de Paris, é o maior no seu gênero na Europa. 3.000 autores comparecem em autógrafos e encontros; 1.200 editores expõem sua produção e são realizados cerca de 800 eventos abertos ao público. Aliás, são esperados 200 mil visitantes nos quatro dias de salão. Um verdadeira festa parisiense.

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O Salão do Livro de Paris já está de portas abertas / Foto: Ivan Pinheiro Machado

Estudantes lotam os corredores do grande pavilhão da Place de la Porte de Versailles / Foto: Ivan Pinheiro Machado

Estudantes lotam os corredores do grande pavilhão da Place de la Porte de Versailles / Foto: Ivan Pinheiro Machado

De literatura clássica a quadrinhos, tem de tudo no salão / Foto: Ivan Pinheiro Machado

De literatura clássica a quadrinhos, tem de tudo no salão / Foto: Ivan Pinheiro Machado

O evento já começou com uma programação de palestras aberta aos visitantes / Foto: Ivan Pinheiro Machado

O evento já começou com uma programação de palestras aberta aos visitantes / Foto: Ivan Pinheiro Machado

Pinturas de Van Gogh roubadas voltam para “casa” depois de 14 anos

22 março 2017

Duas pinturas de Van Gogh que haviam sido roubadas há 14 anos, acabam de voltar ao seu lugar de origem. Elas retornaram ao museu Van Gogh, em Amsterdã, nesta terça-feira, 21 de março.

Já contamos a história aqui no blog: em 7 de dezembro de 2002, as obras “A igreja protestante de Noenen” e “A praia de Scheveningen ao começar a tempestade” sumiram do museu Van Gogh. Em setembro de 2016, a Guarda di Finanza italiana (Polícia financeira) recuperou as pinturas graças a uma operação contra a máfia. As duas obras de Van Gogh foram localizadas em Castellammare di Stabia (perto de Nápoles, no sul da Itália).

O primeiro dos quadros representa os fiéis saindo do templo onde o pai de Van Gogh era pastor e foi pintado pelo artista em 1884 para sua mãe, que acabava de quebrar uma perna.

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“A praia de Scheveningen ao começar a tempestade” é uma tela de pequenas dimensões (34,5 por 51 centímetros) que representa uma cena do litoral próximo a Haia, com um mar bravio e um céu tenebroso. O artista teve que lutar contra os elementos para pintar esta obra e alguns dos grãos de areia que o vendaval jogava sobre a tela úmida ainda estão incrustados nela.

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“Elas voltaram” disse o diretor do museu, Alex Rueger. “Nunca pensei que eu poderia dizer estas palavras. (…) As crianças estão de volta em segurança agora e estão realmente seguras. (…) Elas irão permanecer aqui por muitas gerações futuras.”

Rugel ainda completou que foi um milagre as obras não terem sofrido grandes danos durante estes 14 anos. Cada pintura é avaliada em 50 milhões de euros.

A L&PM publica a biografia de Van Gogh, Cartas a Theo Vincent (em quadrinhos).

O mapa literário mundial

16 março 2017

O blog Indy100, do jornal britânico The Independent, apresentou esta semana um mapa da literatura mundial no qual cada país é representado por seu livro mais famoso ou importante.

Ele provavelmente vai despertar divergências — e quem sabe alguma revolta. Por que usaram a capa da HQ de Dom Casmurro e não do romance (óbvio que se enganaram)? Por que não Dom Quixote na Espanha e sim o bestseller Sombras ao Vento, de Carlos Ruiz Zafón?

Mesmo assim, o mapa é bem interessante e traz vários títulos publicados no Brasil pela L&PM. Alguns bem clássicos como Orgulho e Preconceito, de Jane Austen (Inglaterra); A Metamorfose, de Kafka (Alemanha); Guerra e Paz, de Tolstói (Rússia). E outros mais inusitados como Futebol ao sol e à sombra, de Eduardo Galeano (Uruguai) e a HQ Aya de Yopougon, de Marguerite Abouet (Costa do Marfim).

MAPA DA LITERATURA MUNDIAL

Clique sobre a imagem para ampliar o mapa

Que tal uma visitinha à bela casa de Agatha Christie?

16 março 2017

Um dia, fiquei sabendo que uma casa que conhecera na infância estava à venda: a Greenway House, próximo ao Dart, uma casa sobre a qual minha mãe sempre comentava — e eu concordava — ser a melhor casa das várias que existiam na região.

— Vamos dar uma olhada – falei. – Será um prazer revê-la. Não voltei mais ali desde os tempos de menina, em que ia visitá-la com minha mãe.

Fomos então a Greenway House e verificamos que a casa e os terrenos à volta continuavam maravilhosos. Era uma casa branca da época georgiana, contruída entre 1780 e 1790, com um bosque que descia suavemente até o rio Dart entre várias árvores e arbustos. A casa ideal. Como tínhamos autorização para visitá-la, perguntei o preço, embora não tivesse grande interesse em saber. Quando revelaram o preço, julguei ter ouvido mal:

— Dezesseis mil, foi o que disse?

— Seis mil.

— Seis mil?

Eu não podia acreditar. Na volta, comentei com Max:

— É incrivelmente barato. Tem 33 acres. Nem parece estar em mau estado de conservação. Só precisa de alguns reparos, nada mais.

— Por que não compra essa casa? – Perguntou Max.

(Trecho da Autobiografia de Agatha Christie, publicada pela L&PM Editores)

Agatha Max Greenway

Agatha Christie e seu marido Max Max Mallowan na Greenway House (clique na imagem para ampliá-la)

Agatha Christie realmente comprou a Greenway House. Ela fez algumas alterações, derrubando a parte que foi acrescentada posteriormente e deixando só a casa original construída em 1790. “Quando, por fim, as alterações foram feitas e a casa pintada toda de branco, mudamos para lá. Todavia, ainda exultantes com nossa nova casa, veio a Segunda Guerra Mundial.”, escreveu também ela em sua autobiografia.

A Greenway House e seus jardins permanecem abertos para visitação. Administrada pela National Trust — organização dedicada à preservação do patrimônio cultural de várias regiões da Europa —, o interior da casa ainda oferece aos visitantes a oportunidade de conhecerem a vida privada da Rainha do Crime. É possível ver de perto artefatos trazidos que Agatha e seu marido Max trouxeram de escavações arqueológicas, roupas usadas pela escritora e móveis e fotos originais.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Greenway House foi requisitada pela Guarda Costeira dos EUA por seis meses. A lembrança disso permanece por meio de uma friso que foi pintado na parede da biblioteca como mostra essa foto em que Agatha Christie aparece com a pintura ao fundo:

Agatha-Christie-pictured-in-the-library-at-Greenway

Mathew Prichard, neto de Agatha Christie, lembra-se com carinho de passar as tardes na sala de Greenway onde sua vó muitas vezes se mostrava ansiosa para testar o enredo de um novo livro na frente de um público ao vivo. Ele se lembra especialmente de Agatha recitando Um Punhado de Centeio e encorajando a família a adivinhar a identidade do assassino.

Greenway House também foi o cenário inspirador para alguns romances da escritora como A Extravagância do Morto.

Greenway House, Galmpton, near Brixham, Devon, holiday home of Agatha Christie, Georgian

Para descobrir mais sobre essa casa e agendar sua visita, basta acessar o site www.nationaltrust.org.uk/greenway