Arquivo mensais:fevereiro 2012

Rimbaud: o enigma de um drama

A visão que o mundo tem de Rimbaud é um caleidoscópio. Ela muda de cor, de forma, se transforma e nunca é definitiva. Não é concreta, não é real. A lenda tomou conta da biografia e o mito soterrou o homem. Os poemas são poderosos fragmentos biográficos, embora eles não concluam, não desenhem um Rimbaud preciso. Seus delírios, suas alucinações, suas iluminações e temporadas no inferno, às vezes indicam traços do poeta. Mas a poesia acabou quando ele estava saindo da adolescência, aos 19 anos. Aí começa a saga mítica-rimbaldiana que não deixou versos, mas quase se sobrepõe ao poeta.  Porque se tem indícios, mas na verdade, se sabe muito pouco. Seu périplo africano já foi objeto de milhares de livros. Sua fuga para o nada. De que fugia o poeta? Tudo é mistério, vestígios vagos, traços, aquarelas esmaecidas, retratos imprecisos. Enfim, cada um tem o “seu” Rimbaud. Jack Kerouac, Gide, Alain Borer, Proust, Verlaine, Charles Nichol, Allen Ginsberg, Henry Miller etc. etc. Jean Nicholas Arthur Rimbaud nasceu em 20 de outubro de 1854 e morreu de câncer em 10 de novembro de 1891, aos 37 anos, em Marselha. No entanto, no seu dramático final, tinha a cabeça de um velho ranzinza e a alma torturada pelo martírio escaldante na África Oriental. Mutilado pela doença, martirizava-se nas profundezas do inverno que ele criou para si mesmo. Seu gênio, seus versos magníficos ficaram para trás. Sobrou apenas o sofrimento, a amargura. E nunca ninguém conseguiu explicar precisamente por quê. (Ivan Pinheiro Machado)

Rimbaud antes: desenho à lápis feito por Paul Verlaine em seu caderno de notas

Rimbaud depois: retratado por sua irmã Isabelle nos seus últimos dias de vida

 Leia mais sobre o poeta “maldito” em Rimbaud, série biografias.

67. As diferentes leituras de Casanova

Hoje, Dia de São Valentim (o Dia dos Namorados gringo), nada melhor do que relembrar o aventureiro Casanova, famoso, entre outras, pela arte da sedução. “Era um criador de brincadeiras, jogos, ideias brilhantes e inconsistentes, e divagações sexuais. Falava longamento com suas amantes. Não tinha perversidades, nem sadomasoquismos. (…) Acho que ele sabia acariciar as mulheres com a mesma delicadeza com que as mulheres se acariciavam entre elas” escreveu Giovanni Mariotti na introdução de “Casanova”, livro da Coleção Quadrinhos L&PM que foi lançado em 1988. “Casanova” reunia grandes desenhistas numa publicação dedicada à Casanova. Dino Battaglia apresentava uma HQ cujo título era “Um velho bibliotecário”. Em seguida, vinha “O castrado”, de Miguel Paiva. Depois, “De maroto à rapazola”, de Altan. Mais adiante, “Um jovem brilhante e despreocupado”, de Oski. Por fim, para fechar com chave de ouro, “A freira” do mestre Guido Crepax. A capa apresentava um desenho de Miguel Paiva que também foi o responsável por todas as traduções.

Toda terça-feira, resgatamos histórias que aconteceram em quase quatro décadas de L&PM. Este é o sexagésimo sétimo post da Série “Era uma vez… uma editora“.

O nada romântico Andy Warhol

Terça-feira, 14 de fevereiro, 1978. Eu não podia acreditar em quantas pessoas estavam na rua este ano comemorando o Valentine´s Day. Era realmente  uma comemoração, um grande feriado. (…) Fui apanhar Catherine para ir à festa de Valentine de Vitas no Le Club. Catherine estava com suas botas (táxi $3). Peter Beard e Tom Sullivan chegaram. Tom e Catherine fizeram um pacto e cada um pode ir onde quiser e fazer o que quiser com outras pessoas, e aí ele estava com uma modelo estonteantemente bela de dezesseis anos e ela estava (risos) comigo. Jerry Hall estava lá e disse que está procurando uma casa para Mick e que ela e ele vão morar juntos por seis meses. Acho que mais tarde eu disse isso para um repórter, mas não me importo. Ninguém gosta de Jerry Hall, todo mundo acha que ela é de plástico. Mas eu gosto dela. Ela é uma graça. Fomos ao Studio 54 e quase todo mundo estava lá.

O papa do pop não parecia ser muito romântico, como bem mostra o trecho acima, que faz parte do volume 1 de “Diários de Andy Warhol“, o número 1000 da Série L&PM Pocket. Para este livro, que vem em uma caixa especial, a L&PM WebTV produziu um vídeo especial:

Santo dia do amor

Hoje é Dia de São Valentim, dia internacional do amor, dia dos namorados em grande parte do mundo ocidental. A origem desta data, no entanto, tem diferentes versões. Que vai de um santo apaixonado à fertilidade dos pássaros.

São Valentim, o santo casamenteiro

Reza a lenda que Valentim era um sacerdote romano que viveu no século III. Quando o imperador Claudius II decidiu que os homens deveriam permanecer solteiros porque assim eram melhores soldados, o casamento foi proibido. Mas Valentim desafiou Claudius e continuou celebrando casamentos de jovens amantes em segredos. Ao ser descoberto, foi condenado à morte. Na prisão, enquanto esperava pela execução, apaixonou-se pela filha cega do carcereiro. Depois de escrever um bilhete para ela, o sacerdote assinou “De seu Valentim”, tornando a frase sinônimo para “Seu namorado”. A moça, então, teria recuperado à visão graças ao milagre de seu amor. E assim, 14 de fevereiro, seria depois considerado o Dia de São Valentim. Pra virar Dia dos Namorados foi só uma questão de tempo.

A festa pagã da fertilidade

Mas enquanto alguns acreditam que 14 de fevereiro é a data da morte do mais romântico de todos os santos, outros preferem crer que a data foi escolhida pela Igreja Católica para abafar uma antiga festa chamada Lupercália. Durante o festival era organizada a passeata da fertilidade e também uma espécie de jogo em que todas as jovens solteiras de Roma colocavam seus nomes em uma grande urna para que os homens, ao retirar um papel, escolhessem assim sua mulher. A Lupercália sobreviveu à ascensão inicial do cristianismo, mas foi considerada “não-cristã” no final do século V, quando o Papa declarou que o dia 14 de fevereiro era Dia de São Valentim.

Porque os pássaros também amam

Para completar, na Idade Média, dizia-se que 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros e que, por isso, os namorados deixavam mensagens de amor na soleira da porta de seus amados. Bonitinho, não?

Como dá pra ver, motivos para este dia ser apaixonante não faltam! Nem livros que falam de amor

As primeiras edições de bolso de Maigret

Para comemorar o aniversário de 109 anos de Georges Simenon, compartilhamos aqui e agora algumas capas das primeiras edições em pocket das histórias do Comissário Maigret. Elas foram publicadas nos anos 1940 nos EUA e, hoje, continuam fazendo sucesso na Coleção L&PM Pocket. Sinal de que Simenon não envelhece nunca…

"Liberty Bar", lançado em pocket nos EUA em 28 de setembro de 1941

"Um crime na Holanda" chegou em 30 de novembro de 1941

"Maigret e os flamengos", lançado em 15 de março de 1942

"Maigret", que marca o retorno do famoso personagem de Simenon, foi lançado em 29 de novembro de 1942

O adeus de Charles Schulz

Na manhã do dia 13 de fevereiro de 2000, menos de um dia depois de Charles Schulz falecer devido ao câncer, seu adeus foi publicado nos jornais dos Estados Unidos. Escrita cerca de um mês antes, a despedida ficou guardada para acompanhar seu obituário. Schulz morreu aos 77 anos em sua casa em Santa Rosa, na Califórnia e suas tirinhas chegaram a ser publicadas em 2.600 jornais de todos o mundo, traduzidas para 21 diferentes idiomas. Seu sucesso foi tanto que, dois dias antes de falecer, o criador de Charlie Brown e sua turma recebeu uma Medalha de Ouro do Congresso norte-americano, considerada a maio premiação civil nos EUA.

O adeus de Charles Schulz publicado em 13 de fevereiro de 2000

“Caros amigos, eu tive a honra de desenhar Charlie Brown e seus amigos por quase 50 anos. Foi a realização de minha ambição de infância. Infelizmente, eu não tenho mais como manter o ritmo necessário para uma tirinha diária. A minha família não deseja que Peanuts continue sendo desenhado por mais ninguém, portanto eu estou anunciando minha aposentadoria. Eu sou muito grato por todos esses anos, pela lealdade de nossos editores e o apoio maravilhoso e o amor expressado pelos fãs da tirinha. Charlie Brown, Snoopy, Linus, Lucy… como eu poderia esquecê-los…” Charles Schulz

A L&PM está publicando a obra completa de Charles Schulz no Brasil e o volume 5 da série (com tirinhas que vão de 1959 a 1960) está previsto para chegar em março.

Verbete de hoje: André Le Blanc

Com o lançamento da nova Enciclopédia dos Quadrinhos“, de Goida e André Kleinert, o Blog L&PM publicará, nos domingos, um verbete do livro. O de hoje é  André Le Blanc (1921-1998)

Antes de chegar ao Brasil (final da década de 40), André Le Blanc trabalhou em Nova York, ajudando Will Eisner nas páginas dominicais das histórias do The Spirit. Instalando-se no nosso país, Le Blanc deu um novo alento aos quadrinhos com o seu estilo perfeito, realista e detalhado, tanto em preto e branco como em aguada, sua técnica preferida. Foi Le Blanc que inaugurou na revista Edição Maravilhosa (Clássicos Ilustrados) a adaptação de obras brasileiras, com O Guarani, de José de Alencar. Uma quadrinização tão bela, dinâmica e limpa que mereceu várias reedições, considerando-se até hoje um dos clássicos dos quadrinhos produzidos por aqui. O Guarani abriu caminho para um rico filão, com o aproveitamento de outros artistas nacionais. Le Blac, entretanto, continuou como o melhor de todos eles, transpondo para a narrativa gráfica as obras Iracema, O tronco do ipê e Ubirajara. E igualmente quase todos os romances de José Lins do Rego (Cangaceiros, Menino do engenho, Doidinho, Banguê, Moleque Ricardo). Também obras avulsas de outros autores (Sinhá Moça, de Maria Dezonne Pacheco Fernandes; Amazônia misteriosa, de Gastão Cruls; Siá menina, de Emi Bulhões Carvalho da Fonseca; A muralha, de Dinah Silveira de Queiroz; e Cascalho, de Herberto Salles). André Le Blanc ainda desenhou uma tira diária para os jornais da época, Morena Flor, antes de estabelecer-se para sempre nos Estados Unidos. Lá se dedicou por completo à ilustração, mas ainda arranjou tempo para desenhar em quadrinhos The Picture Bible for All Ages, para David C. Cook Publishng Co. (mais de 800 páginas), publicada no Brasil, em 1975, pela Editora Betânia de Belo Horizonte. André Le Blanc, por algum tempo, foi também assistente de Sy Barry, desenhando as tiras diárias do Fantasma, mas sem assinatura.

Iracema desenhada por André Le Blanc

Rugas

Estou amando tuas rugas, mulher.
Algumas vi surgir, outras aprofundei.

Olho tuas rugas.
Compartilho-as, narciso exposto
no teu rosto.

Ponho os óculos
para melhor ver a tua pele
as minhas/tuas marcas.

Sei que também me lês
quando nas manhãs percebes
em minha face o estranho texto
que restou do sonho.

O que gastou, somou.
Essas rugas são sulcos
onde aramos a messe do possível amor.

De Affonso Romano de Sant´anna, Poesia reunida volume 2

Exposição sobre Roma em São Paulo

Os fascinados por história antiga, aventuras de guerra e imperadores não podem perder a exposição Roma – A Vida e os Impereradores, que fica em cartaz no Masp, em São Paulo, até o dia 1º de abril. O visitante é convidado a embarcar numa viagem por mais de três séculos, do período tardio da República e primeiros séculos do Império Romano, de Júlio César e Augusto até Septímio Severo e seu filho Caracala, que reinaram entre 193 e 217.

Cabeça Colossal de Júlio César

Composta de 370 relíquias de instituições como o Museu Nacional Romano e a Galeria Uffizi, de Florença, a mostra fornece um painel abrangente sobre os imperadores, seus feitos militares, os deuses clássicos, além de desvendar a vida cotidiana, hábitos e costumes do povo romano. Entre os destaques estão três paredes com afrescos da Vila de Pompeia, as estátuas de Júpiter, de Lívia (esposa de Augusto) e da deusa Isis, a Cabeça Colossal de Júlio César em mármore, máscaras teatrais, escultura de Calígula, Armadura de Gladiador, desenhos do Coliseu, a Lamparina de Ouro e cerca de 60 joias. Imperdível, não?

Império Romano na Série Encyclopaedia

Para aproveitar melhor a exposição, a nossa dica é ler o volume Império Romano da Série Encyclopaedia. De forma suscinta, em pouco mais de 100 páginas, o professor da Universidade Paris 13, Patrick Le Roux, mostra os paradoxos da Roma Antiga, as condições em que viviam seus habitantes e discute de que forma a grande expansão da cidadania romana e o florescimento da cultura latina também se caracterizaram pelos sangrentos combates de gladiadores e pela perpetuação da escravatura. Com certeza, é um belo complemento para quem pretende visitar a exposição.

A mostra Roma – A Vida e os Impereradores faz parte do Momento Itália/Brasil e é promovida pela Embaixada da Itália no Brasil e pelo Instituto Italiano de Cultura de São Paulo.

Resultado do concurso “Miniconto para Dickens”

O concurso Miniconto para Dickens lançado pela L&PM na semana passada para comemorar o aniversário do autor de Um conto de Natal foi um sucesso! Recebemos mais de 450 minicontos e passamos trabalho para escolher apenas um para chamar de “o melhor”. Se pudéssemos, premiaríamos vários. Tanto que, fugindo um pouco do que tínhamos previsto no regulamento, resolvemos publicar aqui não apenas três, mas sim os cinco melhores. O 1º lugar leva o super prêmio prometido: uma ecobag exclusiva cheia de livros de Charles Dickens, e o 2º e o 3º lugares vão ganhar de presente Um conto de Natal da Coleção L&PM Pocket.

Prêmio do 1º lugar do concurso "Miniconto para Dickens"

Preparados? Aí vai o resultado do concurso do concurso Miniconto para Dickens:

1º lugar – Edweine Loureiro

PREÇOS
Gritava à janela da amada, que o havia deixado por um homem mais rico:
― E o Amor, Julieta? Vale quanto?
E uma voz, vinda da esquina:
― Duzentos reais, uma noite.

2º lugar – Pedro Gustavo Faria Nunes

200 Contos de Réis
Estava ele sentado na varanda quando lhe chega o mensageiro. Lê e deixa escapar uma única lágrima de todo pranto contido. Responde de pronto: – não haverá mais casamento, não tenho 200 contos de réis.

3º lugar – Clarissa Damasceno Melo

Eles estavam lá. Coagulados na dor da carne. Ela ia embora pra longe dele. Haviam conversado sobre isso. Doído, ele perguntou se longe ela o trocaria por outros meninos. Ela disse: Nem por duzentos.

4º lugar – Rodrigo Domit

Os soldados perdidos de Napoleão
Marcharam para o leste, em meio aos campos incendiados e cidades fantasmas. Ainda hoje, passados duzentos anos, alguns soldados fatigados batem à porta dos camponeses – perguntam a direção de Moscou.

5º lugar – Guilherme Sandi

Entrelinhas da paternidade
“Esse filho não é meu”. A esposa protestou. “Arre, se o sobrenome da família há mais de duzentos anos é Sousa! Espia a certidão: está Souza.” Foram olhar, cara do pai: era filho do Souza, o tabelião.

Parabéns a todos que participaram!